Alguns factos sobre a Doença Celíaca
A Doença Celíaca é uma doença auto-imune e não uma doença relacionada com a alimentação, embora exista um alimento que a desencadeia (glúten) e uma dieta que a trata (dieta sem glúten).
Ao ingerir glúten, os doentes com Doença Celíaca afectam todo o seu organismo, e não apenas o intestino, uma vez que o sistema imunitário ataca erradamente todos os tecidos onde se encontra a transglutaminase-2: o intestino, o cérebro, o fígado, as articulações, a pele, os músculos…
Todas as pessoas produzem transglutaminase-2 (é uma molécula própria). Apenas os doentes com Doença Celíaca produzem anticorpos contra ela (um anticorpo contra uma molécula própria, ou seja, um auto-anticorpo, sendo assim uma doença auto-imune).
Ainda não se conhece a função da transglutaminase-2 no nosso organismo (para além de ser central na fisiopatologia da Doença Celíaca).
A doença celíaca é a única doença auto-imune com um factor desencadeante conhecido: a ingestão de cereais que contêm glúten (trigo, centeio, cevada, algumas variantes de aveia); uma resposta imunitária específica conhecida: auto-anticorpos contra a transglutaminase-2; e uma assinatura genética conhecida: haplótipos HLA DQ 2 e 8.
Embora nenhuma pessoa sem os haplótipos HLA DQ 2/8 desenvolva a doença celíaca, a maioria dos seus portadores não a desenvolve. De facto, estimando-se que estejam presentes em cerca de 40% da população mundial, apenas 3% destes portadores do HLA DQ 2/8 desenvolvem a doença celíaca.
Todos os doentes com Doença Celíaca produzem auto-anticorpos contra a transglutaminase-2 quando ingerem glúten, o que os torna excelentes biomarcadores para a adesão ao tratamento. No entanto, uma pequena fracção de portadores HLA DQ 2/8 com títulos elevados de auto-anticorpos anti-transglutaminase-2 consome glúten durante anos sem desenvolver quaisquer sintomas, enquanto outros, sem títulos detectáveis de auto-anticorpos anti-transglutaminase-2 e cumprindo uma dieta sem glúten, permanecem sintomáticos.